As Melhores Estreias de 2015

SIM meus queridos amigos estamos de voOoOoOolta e agora para falar de coisas boas! E já aproveitado este clima natalino, este clima de festas, eu tenho apenas um pedido para Papai Noel:
Chega de filmes e séries ruins!

açucar
Os ingredientes deste post…

Vamos direto ao ponto pq o tema de hoje é:
AS MELHORES SÉRIES QUE ESTREARAM EM 2015!!

Todos sabemos que 2015 foi um excelente ano para séries, inclusive para as novas. Inúmeras estrearam (inúmeras mesmo pois eu tentei contá-las e não consegui) e muitas destas já estão entre as minhas favoritas e merecem ganhar um destaque. E a principal responsável pelo excelente ano de estreias é a linda, a única, a toda poderosa, àquela que todos amamos: a Netflix, colocando várias séries no top 9!

♥ Netflix and birds ♥

Mas que uma coisa fique clara: Estas são as melhores estreias na minha opinião. Então pfvr não sinta-se ofendido se a sua nova série favorita não entrou no post ou se entrou em uma posição baixa. É impossível eu assistir todas as séries mas fiz um esforço e conferi as mais aclamadas e comentadas nesse mundo lindo que é a internet e montei um Top 9!

 Por que TOP 9??
Porque sou eu que mando nessa caralha.

Antes de entrar no top, gostaria de fazer algumas menções honrosas. São séries cuja primeira temporada não foram tão boas mas que: ou possuem potencial ou me fizeram rir.

Menções Honrosas:

Humor bobo e divertida. Essas palavras resumem a primeira temporada da nova série de Tina Fey e Robert Carlock que estreou na Netflix em março. Não coloquei ela entre as melhores estreias porque muitas das piadas acabam não funcionando. Um minuto você está rindo de algo genial e, no outro, pensando “credo, que piada horrível”. Vale a pena conferir se você é fã de humor besta. No bom sentido da palavra, é claro!

Eu sei que essa é uma mini-série e não terá segunda temporada, ok? E é só por isso que ela está nas menções honrosas e não entre as melhores. Outra série da Netflix, esta é uma prequel ao filme Wet Hot American Summer (2001) e conta com atores hoje famosos como Paul Rudd, Amy Poehler, Bradley Cooper e Elizabeth Banks. Se Kimmy Schmidt possui um humor bobo, o humor de Wet Hot American Summer é 43% retardado, 81% estúpido e os outros 34% não fazem o menor sentido. Então por que ela sequer está na lista? Porque este é o meu tipo de humor. Assistindo aos 8 episódios eu ria feito uma criança no seu primeiro dia de APAE. Espera… Muito agressivo?

“Ah vai si fudê, luks” é o que você provavelmente está pensando. E eu não te culpo. Sério… Mas eu, como fã da trilogia The Evil Dead, precisei conferir se a série era tão ruim quanto o esperado. E não é… Sério… Seríssimo.  Com as notas 9,1 pelo IMDb, 75 por críticos e 91 por usuários no Metacritc e uma incrível aceitação de 98% no Rotten Tomatoes, Ash vs. Evil Dead é disparada a maior surpresa de 2015. “AINNN NOSSA MAS SE É TÃO BOM ASSIM PQ NÃO TÁ NO TOP HEINNNNN????/>”. Por um único motivo: Você precisa ter assistido os filmes para gostar. E honestamente? Eu conheço poucas pessoas que assistiram. A série usa um pouco de CGI o que ofusca aquele glorioso brilho da trilogia original, mas isso acaba sendo apenas um pequeno detalhe neste mar de sangue, mortes e demônios que é Evil Dead. Ainda é trash, ainda é besta, ainda é Evil Dead.

Então vamos agora para o TOP 9 Melhores Estreias de 2015!

9. – Sense8

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Vou ser bem direto quanto a Sense8: É boa, mas não é tão boa. A premissa é brilhante: 8 pessoas ao redor do mundo descobrem que estão conectadas uns com os outros e dividem sentimentos, pensamentos, habilidades e experiências. A história é a respeito deles aprendendo o que são, convivendo com seu novo dom e fugindo de quem quer pegá-los por isso. A série brilha pelo seu desenvolvimento de personagens, pela cinematografia (que é inacreditávelmente boa) e pelo seu final.

Mas, tendo dito isso, a série tem diversos problemas. Os diálogos filosóficos incomodam bastante, aparecem o tempo todo e nada neles é sutil ou implícito. Quase sempre que dois personagens conversam eles trocam slogans filosóficos sem sentido tentando, com toda a força do mundo, fazer a série parecer profunda e significativa. O sentimento é de que o show te segura amarrado com um funil na boca enfiando profundidade sem sentido goela abaixo. Frases bregas como “impossibility is a kiss away from reality” aparecem por toda parte e sem bom motivo algum além de deixar uma catchphrase no ar. Mas, para mim, o maior problema de Sense8 é o ritmo lento que se torna entediante. Eu levei meses pra terminar de assistir essa primeira temporada porque entre os episódios 5 e 8 ela é (e eu não consigo enfatizar isso o suficiente): chata. Felizmente ela retoma o ritmo no episódio 9 e consegue mantê-lo até o excelente final, que faz toda a experiência valer a pena.

Notas:
IMDb: 8,4
Metacritic: 63 por críticos. 81 por usuários.
Rotten Tomatoes: 67% de aceitação por críticos. 91% pela audiência.

8.- Catastrophe

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Eu amo o afiado humor inglês. E eu amo o estilo rápido de humor americano. Combine os dois e você tem Catastrophe. Criado, escrito e atuado por Rob Delaney e Sharon Morgan, a série conta a vida de Rob, um publicitário americano, e Sharon, uma professora irlandesa. A premissa se resume em: Um caso de sexo casual se transformou em uma gravidez inesperada e agora ambos precisam lidar com isso. Soa clichê? Bom, é clichê! Essa fórmula foi feita e refeita um bazingão de vezes mas nunca desta maneira.

O que mais se destaca na comédia são as piadas, os bons personagens, a realidade da trama e a química entre os dois. Química essa que é a grande responsável por trazer a audiência de volta. Você nunca se cansa das interações entre os dois, tudo soa real, tudo parece palpável e até mesmo as brigas deles são agradáveis de assistir (por mais estranho que isso soe). A primeira temporada conta com apenas 6 episódios e foi lançada ainda em janeiro, e uma segunda temporada (com mais 6 episódios) saiu em outubro. É uma série real sobre pessoas reais que você definitivamente deve conferir. Ah, e a série contem um elevado número de cenas de sexo e palavrões então escolha sabiamente sua companhia.

Notas:
IMDb: 8,3
Metacritic: 83 por críticos. 76 por usuários.
Rotten Tomatoes: 100% de aceitação por críticos. 93% pela audiência.

7.- Jessica Jones

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Jessica Jones foi outra surpresa deste ano. Eu jurava que não ia sair coisa boa e GRAÇAS AOS DEUSES ANTIGOS E OS NOVOS eu queimei a minha língua feio. Jessica Jones é uma ótima série proveniente da parceria Marvel + Netflix e ela conta a história de (adivinhem quem) Jessica Jones: uma investigadora particular, interpretada por Krysten Ritter, que é basicamente a definição de um anti-herói. Ela trata todo mundo como merda, é uma alcoólatra e não consegue gerenciar seus poderes muito bem. Jessica é também uma vítima do vilão com o pior nome da história dos vilões: Kilgrave. Kilgrave controla mentes, obrigando as pessoas a seguirem suas ordens apenas com um comando verbal e manteve Jessica sob seu controle por um longo período de tempo.

Mas o foco não são os super poderes de Jessica ou ela salvando pessoas, a série foca nela sendo obrigada a lidar com as coisas terríveis que Kilgrave a obrigou a fazer e é por isso que eu gostei tanto do show. O seu passado sombrio e o quão culpada ela se sente por essas coisas dão a série o característico tom lúgubre e melancólico. Não é um programa sobre super heróis e o quão foda é ser super forte ou ter pele inquebrável, é um drama com personagens profundos e personalidades únicas. A série também merece crédito por tratar suas personagens femininas de maneira realista e não sexualmente objetificadas. Embora contenha cenas de sexo, nenhuma delas está lá somente por estar e todas acrescentam algo para a história. Os problemas enfrentados pelas protagonistas são sérios e os diálogos realistas. Seria muito fácil a série se tornar um antro de momentos sexistas baratos tentando “”””agradar“””” a audiência masculina, mas em momento algum acontece isso. Kilgrave, interpretado por David Tennant, é incrível. De longe o melhor personagem da série e, na minha opinião, o melhor vilão do ano. Charmoso, inteligente, vilanesco, assustador e, acima de tudo, maléfico. Ele é tudo o que um bom vilão deve ser e a atuação de Tennant o deixa ainda mais detestável. Toda vez que ele aparece na tela você simplesmente não quer que a cena termine, sua química com Jessica é perfeita e sua backstory desesperadora.

Mas, é claro, a série ainda possui alguns (sérios) problemas. A atuação de Luke Cage (Mike Colter) é tão ruim que dá nos nervos. O ator parece incapaz de expressar qualquer tipo de emoção o que transforma o personagem dele em alguém entediante e dispensável. As cenas de ação não são nada de especial, as coreografias são toscas e mal dirigidas o que acabam distraindo um pouco quem assiste. Outro problema é que a série tem altos e baixos no decorrer da temporada. Pelo menos dois episódios (o 5º e o 6º) sofrem com ritmo e resolução de conflitos o que os transforma nos mais massantes da temporada e deixa uma sensação no ar de que: ao invés de 13 episódios, a história poderia ter sido resolvida em 11. Dito isso, a primeira temporada de Jessica Jones é muito boa, seus personagens secundários são interessantes, o vilão é excepcional, a trama é envolvente e eu mal posso esperar pela segunda.

Notas
IMDb: 8,6
Metacritic: 81 por críticos. 78 por usuários.
Rotten Tomatoes: 92% de aceitação por críticos. 89% pela audiência.

6- The Last Kingdom

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Eu amo história e eu amo a idade média. The Last Kingdom é uma série da BBC da Inglaterra e adapta para a televisão os livros das Crônicas Saxônicas do excelente autor Bernard Cornwell. Ela se passa no século IX (9 para os mais lentos) d.C., um tempo em que a Inglaterra de hoje era separada em vários reinos constantemente atacados e, em muitas ocasiões, dominados por Vikings. No meio disso temos o personagem principal Uhtred (Alexander Dreymon), um saxão (inglês) capturado quando criança pelos dinamarqueses e criado como próprio filho por um guerreiro Viking. Após atingir a idade adulta, Uhtred agora precisa escolher um lado nas guerras em uma busca por terras, dinheiro, glória e destino.

Combinando personagens fictícios com reais, a série é um excelente drama histórico. A história criada por Bernard Cornwell é envolvente e seus personagens muito fortes, a ponto de você temer pela vida deles toda vez que surge uma cena de batalha. Cenas essas que são um ponto fortíssimo da série por serem muito bem coreografadas. Algo que, embora pareça, não é fácil de ser atingido. Game of Thrones é constantemente criticada por suas fracas coreografias em lutas de espada e, neste quesito, The Last Kingdom ganha de lavada. A série possui outras boas características como a atuação, os personagens secundários e a cinematografia, mas eu gostaria mesmo é de falar sobre o chamado Production Designer (Diretor de Arte). A direção de arte dessa série é inacreditável! Todas as locações (tanto interior como exterior), todas as construções, todo o figurino e todos os cenários foram cuidadosamente criados para serem historicamente corretos. Você já assistiu um filme de época e se sentiu incomodado com o quão bem as pessoas se vestiam? Não? Bom, isso provavelmente porque você não é um imbecil como eu. De qualquer forma, isso não acontece aqui. A fiel representação do século IX d.C. ajuda na imersão e te mantém preso ao que realmente importa: a história.

Se eu tivesse que apontar um problema em The Last Kingdom, seria o ritmo alucinante dos episódios. Pesquisando sobre a série, descobri que a primeira temporada (8 episódios) conta a história dos dois primeiros livros das Crônicas Saxônicas, o que explica esse ritmo acelerado de acontecimentos. Talvez se houvesse um ou dois episódios a mais, este ritmo seria diminuído, o que permitiria o público a respirar durante a temporada e apreciar ainda mais os personagens e os conflitos criados. Mas isso sou apenas eu procurando defeitos. The Last Kingdom possui um grande potencial em suas mãos e eu espero que se torne a minha nova série medieval favorita enquanto Game of Thrones vai se caminhando para o seu final.

Notas:
IMDb: 8,6
Metacritic: 78 por críticos. 76 por usuários.
Rotten Tomatoes: 92% de aprovação por críticos. 90% pela audiência.

5 – Narcos

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Mais uma série baseada em eventos históricos que mistura pessoas reais com personagens fictícios, Narcos já era uma presença óbvia nessa lista. A real ascensão de Pablo Escobar (Wagner Moura) dentro do cartel de Medellin, tornando ele o maior traficante do mundo, toma vida em mais uma ótima série da Netflix. Enquanto vemos o crescimento de Escobar, o agente da DEA Steve Murphy (Boyd Holbrook) é enviado a Colômbia em uma missão americana para capturar o traficante e, por fim, assassiná-lo. Narrado pelo personagem Steve Murphy e cheia de filmagens reais no melhor estilo ‘documentário’, a série possui uma premissa simples (policial atrás de bandido), porém com uma história complexa recheada de personagens e conflitos políticos.

Dentro dos pontos fortes da série pode-se colocar a atuação tanto dos personagens principais quanto dos secundários. Wagner Moura, Boyd Holbrook e Pedro Pascal (Oberyn, de Game of Thrones) estão sensacionais (com Wagner Moura inclusive concorrendo ao Globo de Ouro). Tudo bem que o sotaque espanhol de Wagner Moura não é dos melhores mas isso nem de longe chega a ser um problema. Outro ponto forte é o desenrolar da história. Enquanto as cenas de ação e perseguição policiais são muito boas, o que faz a série brilhar é o drama político, as intrigas entre as famílias criminosas e os agentes da DEA tentando arrumar uma maneira de colocar na cadeia alguém que fatura U$D 22 bilhões por ano. A trilha sonora também é bastante boa, desde a música da entrada até as tocadas durante os momentos calmos ajudam tanto na imersão da audiência quanto na definição de clima imposta pela série.

Narcos se torna difícil de acompanhar caso você não assista prestando atenção. Se você é do tipo que fica olhando para o celular enquanto o diálogo acontece na tela provavelmente vai se perder algumas vezes dentro da história. Pessoalmente, eu gosto quando o show me força a prestar atenção porque, assim, a imersão é muito maior e a experiência de assistir a série se torna mais agradável. Tirando isso e o fato de que Javier Peña (Pedro Pascal) merecia mais tempo de tela, Narcos é uma excelente escolha de nova série. A primeira temporada possui 10 episódios os quais te prendem do início ao fim.

Notas:
IMDb: 9,0
Metacritic: 77 por críticos. 90 por usuários.
Rotten Tomatoes: 77% de aprovação por críticos. 95% pela audiência.

4- Daredevil

Daredevil

De pior filme de super-herói já feito para melhor série de super-herói já feita, o que a parceria Marvel + Neflix fez com Daredevil é sem precedentes. Deixando a desgraça do Ben Affleck de lado, a série conta a história de Matt Murdock, um advogado durante o dia e combatente do crime durante à noite. Recém formado, Murdock ficou cego em um acidente durante a sua infância e por causa disso possui os sentidos super aguçados, embora ainda seja apenas um humano. O show começa com Murdock (interpretado pelo excelente Charlie Cox) abrindo uma firma de advocacia de baixo orçamento em Hell’s Kitchen com seu melhor amigo da faculdade Foggy Nelson (Elden Henson) e uma garota chamada Karen Page (Debora Ann Woll). Após os acontecimentos do primeiro filme dos Vingadores, grande parte de Nova York (incluindo Hell’s Kitchen) precisa ser reconstruída, o que serve de oportunidade de lucro para mafiosos, entra o vilão Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio), conhecido também como The Kingpin. Murdock luta por um bairro melhor para se viver enquanto Fisk utiliza de violência e intimidação para lucrar em cima de uma vizinhança decadente.

Fugindo com classe do estereótipo de super-herói, a primeira temporada de Daredevil é o mais próximo que eu já vi qualquer coisa chegar da trilogia The Dark Knight, de Christopher Nolan. A série conta um drama criminal realista com excelentes atuações e cenas de luta impecáveis em uma ambientação escura e sombria. O fato desse mundo ser realista ajuda na criação dos personagens e no desenvolvimento da trama, que se torna muito mais profunda.

Eu já conhecia ator Charlie Cox pelo seu papel em Boardwalk Empire e em Daredevil ele faz um ótimo trabalho como Matt Murdock. Quem rouba a cena, porém, é Vincent D’Onofrio como Wilson Fisk, interpretando o segundo melhor vilão que vi em muito tempo (o primeiro sendo o já mencionado Kilgrave de Jessica Jones), chegando a ter um episódio inteiro dedicado a explorar o seu passado, o que nos ajuda a entender  o seu processo de pensamento. Fisk é o tipo de vilão que eu adoro. Ele é frio e calculista, porém emocionalmente descontrolado. Ele aparenta sempre ter a situação sob controle até que ele mesmo surte a mate alguém com suas próprias mãos. Isso me deixava muito ansioso nas cenas em que ele aparecia porque você nunca consegue adivinhar o que ele vai fazer em seguida. Os personagens secundários são divertidos, principalmente Foggy, e ajudam a aliviar um pouco da carga emocional da história, deixando a série ainda mais agradável.

Sendo excessivamente crítico: Uma coisa que me incomodou, embora de jeito nenhum deixe a série ruim, foram os diálogos bestas enquanto os personagens tentam demonstrar algum tipo de afeto entre si. Geralmente bregas, eles parecem ser tirados diretamente de um filme antigo da Drew Barrymore, o que te passa uma leve sensação de vergonha alheia. Talvez isso seja proposital para lembrar o espectador de que tudo isso se passa em um universo de quadrinhos e que não deva ser levado assim tão a sério, mas não acredito que esse seja o caso. De toda forma, Daredevil é uma série que tenta inovar e, puta que pariu, como consegue! Ela é pesada, profunda, sangrenta e, acima de tudo, realista. Merece o quarto lugar neste top e eu recomendo fortemente que vocês assistam.

Notas:
IMDb: 8,9
Metacritic: 75 por críticos. 89 por usuários.
Rotten Tomatoes: 98% de aceitação por críticos. 92% pela audiência.

3- Mr. Robot

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Eu não costumo gostar de programas ou filmes sobre hackers porque toda vez que estão ~~hackeando~~ você pode traduzir o que eles dizem enquanto teclam letras aleatórias no teclado de um notebook Acer para: “Baboseira tecnológica, baboseira tecnológica, baboseira tecnológica, baboseira tecnológica e pronto, teje hackeado!” Mas o que acontece quando você pega a cinematografia e a edição de Breaking Bad, os ideais de Fight Club, a psicopatia de American Psycho e mistura tudo isso com a brilhante performance de um ator com os olhos de Steve Buscemi? Você tem Mr. Robot! A série mistura drama, suspense e terror psicológico ao mostrar o mundo pelos olhos de nosso personagem principal, Elliot (Rami Malek). Elliot, como ele próprio se define, é um jovem “engenheiro de segurança, o empregado número ER28-0652 da companhia Allsafe CyberSecurity durante o dia e um vigilante hacker durante a noite”. Dotado de um senso de justiça próprio, ele também sofre de ansiedade, depressão e insônia, além de ser viciado em morfina. Elliot é convocado para se juntar um grupo hacker misterioso chamado FSociety (sutil, não?), liderado por Mr. Robot (Christian Slater), que planeja destruir a América corporativa dos dias de hoje.

Renovado para a segunda temporada antes mesmo do 1º episódio ir ao ar, Mr. Robot é, com alguma folga, a estréia mais estilosa de todas. A cinematografia e edição são dignas de Breaking Bad, porém são únicas em estilo e isso é culpa do excepcional diretor de fotografia Todd Campbell. Uma maneira clara de ver isso são nas cenas de conversação onde Todd faz uma inversão na técnica convencional de filmagem, algo que ele chama de “shortsighting”. Nesta técnica, quando um diálogo ocorre o rosto do ator fica o mais próximo do canto do quadro o possível, deixando uma grande quantidade de espaço atrás de suas cabeças, ecoando seu isolamento. Então mesmo quando dois atores estão conversando um de frente para o outro, eles parecem sozinhos. Essa técnica é enervante e acentua o quão distorcido é o mundo dentro da cabeça de Elliot, e o objetivo de transmitir solidão é alcançado com maestria.

A atuação de Rami Malek como o perturbado Elliot é brilhante e eu diria até mesmo digna de Emmy (Enquanto eu escrevia este post, Malek foi indicado ao Globo de Ouro). Malek consegue transmitir sentimentos complexos com somente um olhar, seu personagem captura a depressão por uso de drogas com um chocante realismo e ele passa a sensação de paranoia e frustração a ponto de deixar o espectador agoniado enquanto assiste. A trilha sonora é outro ponto forte dentro da série com o criador Sam Esmail escolhendo a dedo as músicas presentes em cada episódio. O “hacking” presente em Mr. Robot é algo como nunca vi antes, em nenhum momento aparenta ser inventado ou mal escrito. Em entrevista para o blog Quora, o engenheiro de segurança Andy Manoske afirma que está “impressionado a quantidade de trabalho investida para deixar a série o mais realista possível”. Isso vindo de um profissional atuante na área.

É muito difícil encontrar problemas dentro de uma série criada com tanto cuidado onde tudo aparenta estar no lugar certo e cada cena parece acrescentar para a história. As tramas secundárias se tornam desinteressantes mas isso somente acontece porque a trama principal é tão boa. A mesma coisa acontece com os personagens secundários que, por vezes, não aparentam ser aprofundados, mas, de novo, isso somente acontece porque o principal é tão complexo. Mr. Robot é primeiro um drama psicológico, para depois se tornar um programa sobre hackers, a série possui personalidade própria e um fantástico showrunner. Eu não consigo expressar em palavras o quão ansioso eu estou para que a segunda temporada chegue logo.

Notas:
IMDb: 8,9
Metacritic: 79 por críticos. 87 por usuários.
Rotten Tomatoes: 98% de aceitação por críticos. 94% pela audiência.

2- Master of None

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Master of None é, para mim, a segunda maior surpresa do ano (ficando atrás de Ash vs Evil Dead). A melhor estréia de série de comédia chegou na Netflix no início de Novembro e eu precisei de apenas dois dias para assistir seus 10 episódios. Eu NUNCA faço isso. Geralmente vou intercalando séries e assistindo os episódios aos poucos para ter tempo de pensar sobre eles e analisá-los, o que foi impossível de fazer com essa série por ela ser tão única. Master of None conta a vida pessoal e profissional de Dev (interpretado pelo comediante Aziz Ansari), um ator de 30 anos que não sabe muito bem o quer. Dev mora em Nova York e leva uma vida normal junto de seus amigos Arnold (Eric Wareheim), Brian (Kelvin Yu) e Denise (Lena Waithe). E a premissa é basicamente isso. Soa simples? Provavelmente porque é simples. Mas se existe uma coisa que a história da televisão nos diz é que não é necessário uma premissa complexa para se ter uma série de comédia de sucesso.

Combinando o olhar analítico das coisas simples da vida de Seinfeld com a alma e o olhar sofisticado da vida moderna de Louie, Master of None se transforma em algo único, abordando tanto temas mais sérios como racismo e sexismo, como temas simples como “onde eu vou comer um taco hoje?” com a mesma sutileza e inteligência. A cultura pop influencia a série o tempo todo. Com diálogos atualizados e pautados por referências a séries, filmes, músicas e marcas, tudo neste mundo é palpável. Os personagens secundários são excelentes. O interesse romântico de Dev, Rachel (Noël Wells) é atraente, inteligente e, acima de tudo, divertida. Atraindo bons diálogos, sempre que a atriz sai de cena você só consegue desejar que ela volte. Sua química com Aziz Ansari é muito boa, o que deixa o casal simpático e agradável de se assistir. Aziz demonstra um grande potencial de atuação na série, dando profundidade e alma ao seu personagem que sente e luta contra a maturidade que se aproxima.

fotografia assinada por Mark Schwartzbard é linda e ajuda dar este estilo único à série, que é filmada por apenas uma câmera, relembrando o brilho de séries já conceituadas como Scrubs, Arrested Development, The Office e Modern Family. Outro ponto que não pode passar despercebido é a excelente trilha sonora que se faz presente em todos os episódios, chegando a pautar alguns destes. O episódio Nashville, por exemplo, é recheado do bom e velho CountryArtistas como Toto, Johnny Cash, Aphex Twin e The Cure se espalham por toda a série e ajudam a definir o clima com muito bom gosto. Não consigo pensar em um único problema de Master of None, que se coloca como 6ª melhor temporada de série de 2015 (onde concorrem todas as séries e não somente as estreias) pelo site Metacritc. Ela me prendeu como poucas outras conseguiram antes com (de novo) seu estilo único, seus personagens carismáticos, sua inteligência e sua sutileza ao tratar de assuntos tão cotidianos e tão importantes.

Notas:
IMDb: 8,5
Metacritc: 91 por críticos. 77 por usuários.
Rotten Tomatoes: 100% de aprovação por críticos. 92% pela audiência.

1- Better Call Saul

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Eu admito… Eu sou uma Breaking Bad Bitch. Assisti a série inteira quatro vezes e assistiria mais quatro se o tempo me permitisse. É a minha série favorita junto com The Sopranos e eu amo tudo o que diz respeito a ela. Mas não são apenas os atores de Breaking Bad que retornam em Better Call Saul e sim todo o time de veteranos por trás das câmeras; os responsáveis pelos incríveis detalhes, pela cinematografia de tirar o fôlego e pelos 16 fucking emmys vencidos em 5 temporadas. Ambientada seis anos antes dos acontecimentos de Breaking Bad, Better Call Saul segue a história de Jimmy McGill (Bob Odenkirk) antes dele se tornar Saul Goodman. Jimmy é um advogado de pequenas causas tentando se ajustar financeiramente em sua carreira enquanto procura pela clientela menos afortunada de Albuquerque. Jimmy possui um micro escritório nos fundos de um salão de beleza e é a cara da derrota. No início da série, Jimmy usa suas habilidades de enrolador para o “bem”, trabalhando arduamente dia após dia em casos ruins e ganhando apenas o suficiente para se manter.

Recheada de easter eggs, a série nos leva de volta ao fantástico e conhecido mundo de Breaking Bad, aliviando aquela saudade desesperadora que a última temporada deixou. A atuação dos atores já conhecidos (Bob Odenkirk como Jimmy e Jonathan Banks como Mike Ehrmantraut) continua excelente e nós somos introduzidos a uma bela surpresa: o ator Michael McKean como o irmão mais velho de Jimmy, Charles McGill ou apenas Chuck. Chuck é um advogado de sucesso (sócio de uma grande firma de advocacia) que passa por seu segundo ano sabático forçado devido a sua doença “Hipersensibilidade Eletromagnética”. O ator faz um papel sensacional transmitindo para o telespectador todo o drama e o pesar psicológico de ter uma doença do gênero e, em alguns episódios, acaba por roubar a cena de outros excelentes atores. A backstory de Mike também me surpreendeu, contada através de flashbacks, ela torna um personagem já adorado em alguém muito mais sombrio.

Mas o que faz Better Call Saul merecer o primeiro lugar neste Top 9??

O fato de que a primeira temporada não parece ser uma primeira temporada! Geralmente a primeira temporada é utilizada para apresentar ao espectador ao mundo que estamos conhecendo. Como funciona esse mundo, o que se serve como regra e quem são os personagens que estamos vendo na tela. Se você assistiu How To Get Away With Murder, você entende o que estou dizendo pois, em sua 1ª temporada, a série “perde” bastante tempo explicando como funciona o sistema de justiça a fim de justificar as decisões dos personagens principais. Isso não é algo ruim, mas toma um certo tempo que poderia ser utilizado em outros assuntos, como aprofundar a trama ou explorar mais a relação entre os protagonistas. Mesmo com a apresentação de novos personagens e a exploração do passado dos que já conhecemos (como Mike e Jimmy), em vários aspectos a temporada de estreia de Better Call Saul aparenta já ser sua terceira ou quarta, com seus arcos de narração bem definidos e seus personagens principais já fortes. Isso acontece porque a equipe por trás das câmeras já está em sintonia, eles já sabem o que fazer com a história, aonde querem levá-la e como fazer para chegar lá. Isso tudo com a mesma perfeição e dedicação vista anteriormente em Breankig Bad.

Notas:
IMDb: 8,9
Metacritic: 78 por críticos. 85 por usuários.
Rotten Tomatoes: 100% de aceitação por críticos. 92% pela audiência.

Então é isso, pessoal! Este foi o meu Top 9 de melhores estreias.

E pra você? Qual foi a melhor estreia de 2015? Você concorda comigo quanto a Better Call Saul ser a melhor? Acha que alguma das séries está em uma posição boa demais ou ruim demais? Acha que eu não passo de um macaco com acesso a internet??? Deixe um comentário e ganhe um bolinho!

PS: Não tem bolinho!!

Leia mais sobre a Primeira ou a Segunda temporada de How To Get Away With Murder.

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Quer saber o que eu achei sobre o final de Birdman, o ganhador do Oscar de Melhor Filme de 2014? Então clica aqui, caralho!

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Uma resposta em “As Melhores Estreias de 2015

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