Muito Curto

De uns dias para cá a internet está insuportável. Seja por notícias horrendas como o estupro coletivo de uma menor de idade ou pela eterna guerra que ocorre nas redes sociais toda vez que algo do gênero é noticiado.

Mas este post não é para fazer o famoso textão contra pessoas sem bom senso. É para contar a história de um dia em que EU fui machista. Sim, eu mesmo…

Eu tinha 20 anos e namorava uma guria que vamos chamar de Maria. Nunca fui deliberadamente machista. Nunca achei de verdade que lugar da mulher é na cozinha ou que se uma mulher apanha é porque ela fez alguma coisa de errado. Mas eu era jovem, inseguro comigo mesmo e com meu relacionamento e isso me tornava ciumento. Calma… Eu também nunca fui daqueles ciumentos que surtam e gritam ou machucam alguém, era um ciúme “normal” mas que me fazia ser machista sem que eu mesmo tivesse noção disso ou do quão imbecil esse tipo de comportamento é.

Certa noite, após vários meses de namoro, combinamos de sair com alguns amigos. Estávamos todos nos arrumando e fazendo a ~pré~ no meu apartamento… Me arrumei cedo e fiquei na sala jogando com uns amigos enquanto esperávamos Maria e nossas amigas se arrumarem também. Uma delas trouxe um vestido para Maria provar e decidir se iria ou não usá-lo para sair. Maria provou o vestido, adorou o resultado e quando foi até a sala, super feliz, pedir a minha opinião, eu olhei para ela de cima a baixo e disse com um ar arrogante e escroto: “Muito curto”.

Só de lembrar do que disse me sinto enojado.

Falei também que eu não iria sair se ela fosse vestida ~~daquele jeito~~ e que ela devia se trocar. (Eu estava inseguro com a possibilidade de que outro homem iria olhar para ela).

Mas a parte que me deixa triste de verdade vem agora:

Ela realmente se trocou. Ela acatou minha imposição escrota e, cabisbaixa, colocou uma calça para sairmos. Na hora, minha irmã e minhas amigas tentaram me alertar dizendo que eu estava sendo insensível, idiota e, acima de tudo, machista. Mas é claro que, como todo bom ignorante, fui cego e não dei bola para a opinião alheia.

Foi só ao sair de casa que percebi a merda que eu tinha feito. Não preciso nem dizer que a noite foi horrível. Óbvio. Maria triste e irritada e eu extremamente envergonhado com a minha atitude sem saber direito como pedir desculpas.

No final da noite conversamos, pedi desculpas e jurei para ela (e para mim mesmo) que jamais faria isso de novo. E nunca mais fiz… Mudei minha visão e a minha forma de pensar. Foi tudo de uma só vez? Não… Demorou um tempinho para que a minha opinião mudasse gradualmente. Mas passei a entender que feminismo não é mimimi. É uma luta séria por direitos iguais. Entendi que não sou eu quem decide a forma como a Maria deve ou não se vestir. Entendi que esse tipo de relacionamento é abusivo e faz mal. Entendi que eu deveria aprender a lidar com a minha própria insegurança. Mas, acima de tudo, entendi que deveria RESPEITAR o feminismo e as mulheres.

Existem feministas que extrapolam limites? Óbvio. Como em QUALQUER grande grupo de pessoas. Seja em estádios, igrejas, shows ou manifestações. Sempre vai existir uma pequena parte com ideias erradas ou radicais. Mas o erro de poucos não tira o mérito de tantas.

Ao contrário do que dizia dr. House, as pessoas mudam SIM. E este é apenas um exemplo de que a mudança deve partir de nós mesmos. Se quisermos um mundo melhor, nós devemos melhorar primeiro. Infelizmente precisei me sentir um lixo de pessoa para que finalmente entendesse e respeitasse o assunto. Espero que você não precise.

“Mas Lucas qual a moral disso tudo???” 

A moral deste post é deixar uma reflexão para você que trata a sua namorada ou amigas do jeito que eu tratava a minha. Se sentir inseguro é algo normal. O que não é normal é projetar essa insegurança em outra pessoa de maneira abusiva. Espero que você pare por um minuto, olhe para si próprio, pense a respeito dos suas ações e, depois disso, mude para melhor! 

Lembre-se: Respeitar uma mulher não te faz menos homem.

Na verdade, te faz mais homem ainda.

Te faz humano.

Qualquer dúvida, elogio ou crítica é só deixar um comentário.

 

 

 

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