As Melhores Estreias de 2015

SIM meus queridos amigos estamos de voOoOoOolta e agora para falar de coisas boas! E já aproveitado este clima natalino, este clima de festas, eu tenho apenas um pedido para Papai Noel:
Chega de filmes e séries ruins!

açucar
Os ingredientes deste post…

Vamos direto ao ponto pq o tema de hoje é:
AS MELHORES SÉRIES QUE ESTREARAM EM 2015!!

Todos sabemos que 2015 foi um excelente ano para séries, inclusive para as novas. Inúmeras estrearam (inúmeras mesmo pois eu tentei contá-las e não consegui) e muitas destas já estão entre as minhas favoritas e merecem ganhar um destaque. E a principal responsável pelo excelente ano de estreias é a linda, a única, a toda poderosa, àquela que todos amamos: a Netflix, colocando várias séries no top 9!

♥ Netflix and birds ♥

Mas que uma coisa fique clara: Estas são as melhores estreias na minha opinião. Então pfvr não sinta-se ofendido se a sua nova série favorita não entrou no post ou se entrou em uma posição baixa. É impossível eu assistir todas as séries mas fiz um esforço e conferi as mais aclamadas e comentadas nesse mundo lindo que é a internet e montei um Top 9!

 Por que TOP 9??
Porque sou eu que mando nessa caralha.

Antes de entrar no top, gostaria de fazer algumas menções honrosas. São séries cuja primeira temporada não foram tão boas mas que: ou possuem potencial ou me fizeram rir.

Menções Honrosas:

Humor bobo e divertida. Essas palavras resumem a primeira temporada da nova série de Tina Fey e Robert Carlock que estreou na Netflix em março. Não coloquei ela entre as melhores estreias porque muitas das piadas acabam não funcionando. Um minuto você está rindo de algo genial e, no outro, pensando “credo, que piada horrível”. Vale a pena conferir se você é fã de humor besta. No bom sentido da palavra, é claro!

Eu sei que essa é uma mini-série e não terá segunda temporada, ok? E é só por isso que ela está nas menções honrosas e não entre as melhores. Outra série da Netflix, esta é uma prequel ao filme Wet Hot American Summer (2001) e conta com atores hoje famosos como Paul Rudd, Amy Poehler, Bradley Cooper e Elizabeth Banks. Se Kimmy Schmidt possui um humor bobo, o humor de Wet Hot American Summer é 43% retardado, 81% estúpido e os outros 34% não fazem o menor sentido. Então por que ela sequer está na lista? Porque este é o meu tipo de humor. Assistindo aos 8 episódios eu ria feito uma criança no seu primeiro dia de APAE. Espera… Muito agressivo?

“Ah vai si fudê, luks” é o que você provavelmente está pensando. E eu não te culpo. Sério… Mas eu, como fã da trilogia The Evil Dead, precisei conferir se a série era tão ruim quanto o esperado. E não é… Sério… Seríssimo.  Com as notas 9,1 pelo IMDb, 75 por críticos e 91 por usuários no Metacritc e uma incrível aceitação de 98% no Rotten Tomatoes, Ash vs. Evil Dead é disparada a maior surpresa de 2015. “AINNN NOSSA MAS SE É TÃO BOM ASSIM PQ NÃO TÁ NO TOP HEINNNNN????/>”. Por um único motivo: Você precisa ter assistido os filmes para gostar. E honestamente? Eu conheço poucas pessoas que assistiram. A série usa um pouco de CGI o que ofusca aquele glorioso brilho da trilogia original, mas isso acaba sendo apenas um pequeno detalhe neste mar de sangue, mortes e demônios que é Evil Dead. Ainda é trash, ainda é besta, ainda é Evil Dead.

Então vamos agora para o TOP 9 Melhores Estreias de 2015!

9. – Sense8

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Vou ser bem direto quanto a Sense8: É boa, mas não é tão boa. A premissa é brilhante: 8 pessoas ao redor do mundo descobrem que estão conectadas uns com os outros e dividem sentimentos, pensamentos, habilidades e experiências. A história é a respeito deles aprendendo o que são, convivendo com seu novo dom e fugindo de quem quer pegá-los por isso. A série brilha pelo seu desenvolvimento de personagens, pela cinematografia (que é inacreditávelmente boa) e pelo seu final.

Mas, tendo dito isso, a série tem diversos problemas. Os diálogos filosóficos incomodam bastante, aparecem o tempo todo e nada neles é sutil ou implícito. Quase sempre que dois personagens conversam eles trocam slogans filosóficos sem sentido tentando, com toda a força do mundo, fazer a série parecer profunda e significativa. O sentimento é de que o show te segura amarrado com um funil na boca enfiando profundidade sem sentido goela abaixo. Frases bregas como “impossibility is a kiss away from reality” aparecem por toda parte e sem bom motivo algum além de deixar uma catchphrase no ar. Mas, para mim, o maior problema de Sense8 é o ritmo lento que se torna entediante. Eu levei meses pra terminar de assistir essa primeira temporada porque entre os episódios 5 e 8 ela é (e eu não consigo enfatizar isso o suficiente): chata. Felizmente ela retoma o ritmo no episódio 9 e consegue mantê-lo até o excelente final, que faz toda a experiência valer a pena.

Notas:
IMDb: 8,4
Metacritic: 63 por críticos. 81 por usuários.
Rotten Tomatoes: 67% de aceitação por críticos. 91% pela audiência.

8.- Catastrophe

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Eu amo o afiado humor inglês. E eu amo o estilo rápido de humor americano. Combine os dois e você tem Catastrophe. Criado, escrito e atuado por Rob Delaney e Sharon Morgan, a série conta a vida de Rob, um publicitário americano, e Sharon, uma professora irlandesa. A premissa se resume em: Um caso de sexo casual se transformou em uma gravidez inesperada e agora ambos precisam lidar com isso. Soa clichê? Bom, é clichê! Essa fórmula foi feita e refeita um bazingão de vezes mas nunca desta maneira.

O que mais se destaca na comédia são as piadas, os bons personagens, a realidade da trama e a química entre os dois. Química essa que é a grande responsável por trazer a audiência de volta. Você nunca se cansa das interações entre os dois, tudo soa real, tudo parece palpável e até mesmo as brigas deles são agradáveis de assistir (por mais estranho que isso soe). A primeira temporada conta com apenas 6 episódios e foi lançada ainda em janeiro, e uma segunda temporada (com mais 6 episódios) saiu em outubro. É uma série real sobre pessoas reais que você definitivamente deve conferir. Ah, e a série contem um elevado número de cenas de sexo e palavrões então escolha sabiamente sua companhia.

Notas:
IMDb: 8,3
Metacritic: 83 por críticos. 76 por usuários.
Rotten Tomatoes: 100% de aceitação por críticos. 93% pela audiência.

7.- Jessica Jones

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Jessica Jones foi outra surpresa deste ano. Eu jurava que não ia sair coisa boa e GRAÇAS AOS DEUSES ANTIGOS E OS NOVOS eu queimei a minha língua feio. Jessica Jones é uma ótima série proveniente da parceria Marvel + Netflix e ela conta a história de (adivinhem quem) Jessica Jones: uma investigadora particular, interpretada por Krysten Ritter, que é basicamente a definição de um anti-herói. Ela trata todo mundo como merda, é uma alcoólatra e não consegue gerenciar seus poderes muito bem. Jessica é também uma vítima do vilão com o pior nome da história dos vilões: Kilgrave. Kilgrave controla mentes, obrigando as pessoas a seguirem suas ordens apenas com um comando verbal e manteve Jessica sob seu controle por um longo período de tempo.

Mas o foco não são os super poderes de Jessica ou ela salvando pessoas, a série foca nela sendo obrigada a lidar com as coisas terríveis que Kilgrave a obrigou a fazer e é por isso que eu gostei tanto do show. O seu passado sombrio e o quão culpada ela se sente por essas coisas dão a série o característico tom lúgubre e melancólico. Não é um programa sobre super heróis e o quão foda é ser super forte ou ter pele inquebrável, é um drama com personagens profundos e personalidades únicas. A série também merece crédito por tratar suas personagens femininas de maneira realista e não sexualmente objetificadas. Embora contenha cenas de sexo, nenhuma delas está lá somente por estar e todas acrescentam algo para a história. Os problemas enfrentados pelas protagonistas são sérios e os diálogos realistas. Seria muito fácil a série se tornar um antro de momentos sexistas baratos tentando “”””agradar“””” a audiência masculina, mas em momento algum acontece isso. Kilgrave, interpretado por David Tennant, é incrível. De longe o melhor personagem da série e, na minha opinião, o melhor vilão do ano. Charmoso, inteligente, vilanesco, assustador e, acima de tudo, maléfico. Ele é tudo o que um bom vilão deve ser e a atuação de Tennant o deixa ainda mais detestável. Toda vez que ele aparece na tela você simplesmente não quer que a cena termine, sua química com Jessica é perfeita e sua backstory desesperadora.

Mas, é claro, a série ainda possui alguns (sérios) problemas. A atuação de Luke Cage (Mike Colter) é tão ruim que dá nos nervos. O ator parece incapaz de expressar qualquer tipo de emoção o que transforma o personagem dele em alguém entediante e dispensável. As cenas de ação não são nada de especial, as coreografias são toscas e mal dirigidas o que acabam distraindo um pouco quem assiste. Outro problema é que a série tem altos e baixos no decorrer da temporada. Pelo menos dois episódios (o 5º e o 6º) sofrem com ritmo e resolução de conflitos o que os transforma nos mais massantes da temporada e deixa uma sensação no ar de que: ao invés de 13 episódios, a história poderia ter sido resolvida em 11. Dito isso, a primeira temporada de Jessica Jones é muito boa, seus personagens secundários são interessantes, o vilão é excepcional, a trama é envolvente e eu mal posso esperar pela segunda.

Notas
IMDb: 8,6
Metacritic: 81 por críticos. 78 por usuários.
Rotten Tomatoes: 92% de aceitação por críticos. 89% pela audiência.

6- The Last Kingdom

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Eu amo história e eu amo a idade média. The Last Kingdom é uma série da BBC da Inglaterra e adapta para a televisão os livros das Crônicas Saxônicas do excelente autor Bernard Cornwell. Ela se passa no século IX (9 para os mais lentos) d.C., um tempo em que a Inglaterra de hoje era separada em vários reinos constantemente atacados e, em muitas ocasiões, dominados por Vikings. No meio disso temos o personagem principal Uhtred (Alexander Dreymon), um saxão (inglês) capturado quando criança pelos dinamarqueses e criado como próprio filho por um guerreiro Viking. Após atingir a idade adulta, Uhtred agora precisa escolher um lado nas guerras em uma busca por terras, dinheiro, glória e destino.

Combinando personagens fictícios com reais, a série é um excelente drama histórico. A história criada por Bernard Cornwell é envolvente e seus personagens muito fortes, a ponto de você temer pela vida deles toda vez que surge uma cena de batalha. Cenas essas que são um ponto fortíssimo da série por serem muito bem coreografadas. Algo que, embora pareça, não é fácil de ser atingido. Game of Thrones é constantemente criticada por suas fracas coreografias em lutas de espada e, neste quesito, The Last Kingdom ganha de lavada. A série possui outras boas características como a atuação, os personagens secundários e a cinematografia, mas eu gostaria mesmo é de falar sobre o chamado Production Designer (Diretor de Arte). A direção de arte dessa série é inacreditável! Todas as locações (tanto interior como exterior), todas as construções, todo o figurino e todos os cenários foram cuidadosamente criados para serem historicamente corretos. Você já assistiu um filme de época e se sentiu incomodado com o quão bem as pessoas se vestiam? Não? Bom, isso provavelmente porque você não é um imbecil como eu. De qualquer forma, isso não acontece aqui. A fiel representação do século IX d.C. ajuda na imersão e te mantém preso ao que realmente importa: a história.

Se eu tivesse que apontar um problema em The Last Kingdom, seria o ritmo alucinante dos episódios. Pesquisando sobre a série, descobri que a primeira temporada (8 episódios) conta a história dos dois primeiros livros das Crônicas Saxônicas, o que explica esse ritmo acelerado de acontecimentos. Talvez se houvesse um ou dois episódios a mais, este ritmo seria diminuído, o que permitiria o público a respirar durante a temporada e apreciar ainda mais os personagens e os conflitos criados. Mas isso sou apenas eu procurando defeitos. The Last Kingdom possui um grande potencial em suas mãos e eu espero que se torne a minha nova série medieval favorita enquanto Game of Thrones vai se caminhando para o seu final.

Notas:
IMDb: 8,6
Metacritic: 78 por críticos. 76 por usuários.
Rotten Tomatoes: 92% de aprovação por críticos. 90% pela audiência.

5 – Narcos

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Mais uma série baseada em eventos históricos que mistura pessoas reais com personagens fictícios, Narcos já era uma presença óbvia nessa lista. A real ascensão de Pablo Escobar (Wagner Moura) dentro do cartel de Medellin, tornando ele o maior traficante do mundo, toma vida em mais uma ótima série da Netflix. Enquanto vemos o crescimento de Escobar, o agente da DEA Steve Murphy (Boyd Holbrook) é enviado a Colômbia em uma missão americana para capturar o traficante e, por fim, assassiná-lo. Narrado pelo personagem Steve Murphy e cheia de filmagens reais no melhor estilo ‘documentário’, a série possui uma premissa simples (policial atrás de bandido), porém com uma história complexa recheada de personagens e conflitos políticos.

Dentro dos pontos fortes da série pode-se colocar a atuação tanto dos personagens principais quanto dos secundários. Wagner Moura, Boyd Holbrook e Pedro Pascal (Oberyn, de Game of Thrones) estão sensacionais (com Wagner Moura inclusive concorrendo ao Globo de Ouro). Tudo bem que o sotaque espanhol de Wagner Moura não é dos melhores mas isso nem de longe chega a ser um problema. Outro ponto forte é o desenrolar da história. Enquanto as cenas de ação e perseguição policiais são muito boas, o que faz a série brilhar é o drama político, as intrigas entre as famílias criminosas e os agentes da DEA tentando arrumar uma maneira de colocar na cadeia alguém que fatura U$D 22 bilhões por ano. A trilha sonora também é bastante boa, desde a música da entrada até as tocadas durante os momentos calmos ajudam tanto na imersão da audiência quanto na definição de clima imposta pela série.

Narcos se torna difícil de acompanhar caso você não assista prestando atenção. Se você é do tipo que fica olhando para o celular enquanto o diálogo acontece na tela provavelmente vai se perder algumas vezes dentro da história. Pessoalmente, eu gosto quando o show me força a prestar atenção porque, assim, a imersão é muito maior e a experiência de assistir a série se torna mais agradável. Tirando isso e o fato de que Javier Peña (Pedro Pascal) merecia mais tempo de tela, Narcos é uma excelente escolha de nova série. A primeira temporada possui 10 episódios os quais te prendem do início ao fim.

Notas:
IMDb: 9,0
Metacritic: 77 por críticos. 90 por usuários.
Rotten Tomatoes: 77% de aprovação por críticos. 95% pela audiência.

4- Daredevil

Daredevil

De pior filme de super-herói já feito para melhor série de super-herói já feita, o que a parceria Marvel + Neflix fez com Daredevil é sem precedentes. Deixando a desgraça do Ben Affleck de lado, a série conta a história de Matt Murdock, um advogado durante o dia e combatente do crime durante à noite. Recém formado, Murdock ficou cego em um acidente durante a sua infância e por causa disso possui os sentidos super aguçados, embora ainda seja apenas um humano. O show começa com Murdock (interpretado pelo excelente Charlie Cox) abrindo uma firma de advocacia de baixo orçamento em Hell’s Kitchen com seu melhor amigo da faculdade Foggy Nelson (Elden Henson) e uma garota chamada Karen Page (Debora Ann Woll). Após os acontecimentos do primeiro filme dos Vingadores, grande parte de Nova York (incluindo Hell’s Kitchen) precisa ser reconstruída, o que serve de oportunidade de lucro para mafiosos, entra o vilão Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio), conhecido também como The Kingpin. Murdock luta por um bairro melhor para se viver enquanto Fisk utiliza de violência e intimidação para lucrar em cima de uma vizinhança decadente.

Fugindo com classe do estereótipo de super-herói, a primeira temporada de Daredevil é o mais próximo que eu já vi qualquer coisa chegar da trilogia The Dark Knight, de Christopher Nolan. A série conta um drama criminal realista com excelentes atuações e cenas de luta impecáveis em uma ambientação escura e sombria. O fato desse mundo ser realista ajuda na criação dos personagens e no desenvolvimento da trama, que se torna muito mais profunda.

Eu já conhecia ator Charlie Cox pelo seu papel em Boardwalk Empire e em Daredevil ele faz um ótimo trabalho como Matt Murdock. Quem rouba a cena, porém, é Vincent D’Onofrio como Wilson Fisk, interpretando o segundo melhor vilão que vi em muito tempo (o primeiro sendo o já mencionado Kilgrave de Jessica Jones), chegando a ter um episódio inteiro dedicado a explorar o seu passado, o que nos ajuda a entender  o seu processo de pensamento. Fisk é o tipo de vilão que eu adoro. Ele é frio e calculista, porém emocionalmente descontrolado. Ele aparenta sempre ter a situação sob controle até que ele mesmo surte a mate alguém com suas próprias mãos. Isso me deixava muito ansioso nas cenas em que ele aparecia porque você nunca consegue adivinhar o que ele vai fazer em seguida. Os personagens secundários são divertidos, principalmente Foggy, e ajudam a aliviar um pouco da carga emocional da história, deixando a série ainda mais agradável.

Sendo excessivamente crítico: Uma coisa que me incomodou, embora de jeito nenhum deixe a série ruim, foram os diálogos bestas enquanto os personagens tentam demonstrar algum tipo de afeto entre si. Geralmente bregas, eles parecem ser tirados diretamente de um filme antigo da Drew Barrymore, o que te passa uma leve sensação de vergonha alheia. Talvez isso seja proposital para lembrar o espectador de que tudo isso se passa em um universo de quadrinhos e que não deva ser levado assim tão a sério, mas não acredito que esse seja o caso. De toda forma, Daredevil é uma série que tenta inovar e, puta que pariu, como consegue! Ela é pesada, profunda, sangrenta e, acima de tudo, realista. Merece o quarto lugar neste top e eu recomendo fortemente que vocês assistam.

Notas:
IMDb: 8,9
Metacritic: 75 por críticos. 89 por usuários.
Rotten Tomatoes: 98% de aceitação por críticos. 92% pela audiência.

3- Mr. Robot

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Eu não costumo gostar de programas ou filmes sobre hackers porque toda vez que estão ~~hackeando~~ você pode traduzir o que eles dizem enquanto teclam letras aleatórias no teclado de um notebook Acer para: “Baboseira tecnológica, baboseira tecnológica, baboseira tecnológica, baboseira tecnológica e pronto, teje hackeado!” Mas o que acontece quando você pega a cinematografia e a edição de Breaking Bad, os ideais de Fight Club, a psicopatia de American Psycho e mistura tudo isso com a brilhante performance de um ator com os olhos de Steve Buscemi? Você tem Mr. Robot! A série mistura drama, suspense e terror psicológico ao mostrar o mundo pelos olhos de nosso personagem principal, Elliot (Rami Malek). Elliot, como ele próprio se define, é um jovem “engenheiro de segurança, o empregado número ER28-0652 da companhia Allsafe CyberSecurity durante o dia e um vigilante hacker durante a noite”. Dotado de um senso de justiça próprio, ele também sofre de ansiedade, depressão e insônia, além de ser viciado em morfina. Elliot é convocado para se juntar um grupo hacker misterioso chamado FSociety (sutil, não?), liderado por Mr. Robot (Christian Slater), que planeja destruir a América corporativa dos dias de hoje.

Renovado para a segunda temporada antes mesmo do 1º episódio ir ao ar, Mr. Robot é, com alguma folga, a estréia mais estilosa de todas. A cinematografia e edição são dignas de Breaking Bad, porém são únicas em estilo e isso é culpa do excepcional diretor de fotografia Todd Campbell. Uma maneira clara de ver isso são nas cenas de conversação onde Todd faz uma inversão na técnica convencional de filmagem, algo que ele chama de “shortsighting”. Nesta técnica, quando um diálogo ocorre o rosto do ator fica o mais próximo do canto do quadro o possível, deixando uma grande quantidade de espaço atrás de suas cabeças, ecoando seu isolamento. Então mesmo quando dois atores estão conversando um de frente para o outro, eles parecem sozinhos. Essa técnica é enervante e acentua o quão distorcido é o mundo dentro da cabeça de Elliot, e o objetivo de transmitir solidão é alcançado com maestria.

A atuação de Rami Malek como o perturbado Elliot é brilhante e eu diria até mesmo digna de Emmy (Enquanto eu escrevia este post, Malek foi indicado ao Globo de Ouro). Malek consegue transmitir sentimentos complexos com somente um olhar, seu personagem captura a depressão por uso de drogas com um chocante realismo e ele passa a sensação de paranoia e frustração a ponto de deixar o espectador agoniado enquanto assiste. A trilha sonora é outro ponto forte dentro da série com o criador Sam Esmail escolhendo a dedo as músicas presentes em cada episódio. O “hacking” presente em Mr. Robot é algo como nunca vi antes, em nenhum momento aparenta ser inventado ou mal escrito. Em entrevista para o blog Quora, o engenheiro de segurança Andy Manoske afirma que está “impressionado a quantidade de trabalho investida para deixar a série o mais realista possível”. Isso vindo de um profissional atuante na área.

É muito difícil encontrar problemas dentro de uma série criada com tanto cuidado onde tudo aparenta estar no lugar certo e cada cena parece acrescentar para a história. As tramas secundárias se tornam desinteressantes mas isso somente acontece porque a trama principal é tão boa. A mesma coisa acontece com os personagens secundários que, por vezes, não aparentam ser aprofundados, mas, de novo, isso somente acontece porque o principal é tão complexo. Mr. Robot é primeiro um drama psicológico, para depois se tornar um programa sobre hackers, a série possui personalidade própria e um fantástico showrunner. Eu não consigo expressar em palavras o quão ansioso eu estou para que a segunda temporada chegue logo.

Notas:
IMDb: 8,9
Metacritic: 79 por críticos. 87 por usuários.
Rotten Tomatoes: 98% de aceitação por críticos. 94% pela audiência.

2- Master of None

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Master of None é, para mim, a segunda maior surpresa do ano (ficando atrás de Ash vs Evil Dead). A melhor estréia de série de comédia chegou na Netflix no início de Novembro e eu precisei de apenas dois dias para assistir seus 10 episódios. Eu NUNCA faço isso. Geralmente vou intercalando séries e assistindo os episódios aos poucos para ter tempo de pensar sobre eles e analisá-los, o que foi impossível de fazer com essa série por ela ser tão única. Master of None conta a vida pessoal e profissional de Dev (interpretado pelo comediante Aziz Ansari), um ator de 30 anos que não sabe muito bem o quer. Dev mora em Nova York e leva uma vida normal junto de seus amigos Arnold (Eric Wareheim), Brian (Kelvin Yu) e Denise (Lena Waithe). E a premissa é basicamente isso. Soa simples? Provavelmente porque é simples. Mas se existe uma coisa que a história da televisão nos diz é que não é necessário uma premissa complexa para se ter uma série de comédia de sucesso.

Combinando o olhar analítico das coisas simples da vida de Seinfeld com a alma e o olhar sofisticado da vida moderna de Louie, Master of None se transforma em algo único, abordando tanto temas mais sérios como racismo e sexismo, como temas simples como “onde eu vou comer um taco hoje?” com a mesma sutileza e inteligência. A cultura pop influencia a série o tempo todo. Com diálogos atualizados e pautados por referências a séries, filmes, músicas e marcas, tudo neste mundo é palpável. Os personagens secundários são excelentes. O interesse romântico de Dev, Rachel (Noël Wells) é atraente, inteligente e, acima de tudo, divertida. Atraindo bons diálogos, sempre que a atriz sai de cena você só consegue desejar que ela volte. Sua química com Aziz Ansari é muito boa, o que deixa o casal simpático e agradável de se assistir. Aziz demonstra um grande potencial de atuação na série, dando profundidade e alma ao seu personagem que sente e luta contra a maturidade que se aproxima.

fotografia assinada por Mark Schwartzbard é linda e ajuda dar este estilo único à série, que é filmada por apenas uma câmera, relembrando o brilho de séries já conceituadas como Scrubs, Arrested Development, The Office e Modern Family. Outro ponto que não pode passar despercebido é a excelente trilha sonora que se faz presente em todos os episódios, chegando a pautar alguns destes. O episódio Nashville, por exemplo, é recheado do bom e velho CountryArtistas como Toto, Johnny Cash, Aphex Twin e The Cure se espalham por toda a série e ajudam a definir o clima com muito bom gosto. Não consigo pensar em um único problema de Master of None, que se coloca como 6ª melhor temporada de série de 2015 (onde concorrem todas as séries e não somente as estreias) pelo site Metacritc. Ela me prendeu como poucas outras conseguiram antes com (de novo) seu estilo único, seus personagens carismáticos, sua inteligência e sua sutileza ao tratar de assuntos tão cotidianos e tão importantes.

Notas:
IMDb: 8,5
Metacritc: 91 por críticos. 77 por usuários.
Rotten Tomatoes: 100% de aprovação por críticos. 92% pela audiência.

1- Better Call Saul

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Eu admito… Eu sou uma Breaking Bad Bitch. Assisti a série inteira quatro vezes e assistiria mais quatro se o tempo me permitisse. É a minha série favorita junto com The Sopranos e eu amo tudo o que diz respeito a ela. Mas não são apenas os atores de Breaking Bad que retornam em Better Call Saul e sim todo o time de veteranos por trás das câmeras; os responsáveis pelos incríveis detalhes, pela cinematografia de tirar o fôlego e pelos 16 fucking emmys vencidos em 5 temporadas. Ambientada seis anos antes dos acontecimentos de Breaking Bad, Better Call Saul segue a história de Jimmy McGill (Bob Odenkirk) antes dele se tornar Saul Goodman. Jimmy é um advogado de pequenas causas tentando se ajustar financeiramente em sua carreira enquanto procura pela clientela menos afortunada de Albuquerque. Jimmy possui um micro escritório nos fundos de um salão de beleza e é a cara da derrota. No início da série, Jimmy usa suas habilidades de enrolador para o “bem”, trabalhando arduamente dia após dia em casos ruins e ganhando apenas o suficiente para se manter.

Recheada de easter eggs, a série nos leva de volta ao fantástico e conhecido mundo de Breaking Bad, aliviando aquela saudade desesperadora que a última temporada deixou. A atuação dos atores já conhecidos (Bob Odenkirk como Jimmy e Jonathan Banks como Mike Ehrmantraut) continua excelente e nós somos introduzidos a uma bela surpresa: o ator Michael McKean como o irmão mais velho de Jimmy, Charles McGill ou apenas Chuck. Chuck é um advogado de sucesso (sócio de uma grande firma de advocacia) que passa por seu segundo ano sabático forçado devido a sua doença “Hipersensibilidade Eletromagnética”. O ator faz um papel sensacional transmitindo para o telespectador todo o drama e o pesar psicológico de ter uma doença do gênero e, em alguns episódios, acaba por roubar a cena de outros excelentes atores. A backstory de Mike também me surpreendeu, contada através de flashbacks, ela torna um personagem já adorado em alguém muito mais sombrio.

Mas o que faz Better Call Saul merecer o primeiro lugar neste Top 9??

O fato de que a primeira temporada não parece ser uma primeira temporada! Geralmente a primeira temporada é utilizada para apresentar ao espectador ao mundo que estamos conhecendo. Como funciona esse mundo, o que se serve como regra e quem são os personagens que estamos vendo na tela. Se você assistiu How To Get Away With Murder, você entende o que estou dizendo pois, em sua 1ª temporada, a série “perde” bastante tempo explicando como funciona o sistema de justiça a fim de justificar as decisões dos personagens principais. Isso não é algo ruim, mas toma um certo tempo que poderia ser utilizado em outros assuntos, como aprofundar a trama ou explorar mais a relação entre os protagonistas. Mesmo com a apresentação de novos personagens e a exploração do passado dos que já conhecemos (como Mike e Jimmy), em vários aspectos a temporada de estreia de Better Call Saul aparenta já ser sua terceira ou quarta, com seus arcos de narração bem definidos e seus personagens principais já fortes. Isso acontece porque a equipe por trás das câmeras já está em sintonia, eles já sabem o que fazer com a história, aonde querem levá-la e como fazer para chegar lá. Isso tudo com a mesma perfeição e dedicação vista anteriormente em Breankig Bad.

Notas:
IMDb: 8,9
Metacritic: 78 por críticos. 85 por usuários.
Rotten Tomatoes: 100% de aceitação por críticos. 92% pela audiência.

Então é isso, pessoal! Este foi o meu Top 9 de melhores estreias.

E pra você? Qual foi a melhor estreia de 2015? Você concorda comigo quanto a Better Call Saul ser a melhor? Acha que alguma das séries está em uma posição boa demais ou ruim demais? Acha que eu não passo de um macaco com acesso a internet??? Deixe um comentário e ganhe um bolinho!

PS: Não tem bolinho!!

Leia mais sobre a Primeira ou a Segunda temporada de How To Get Away With Murder.

Conhece a Minha Stalker Priscila? Não?? Clique aqui e conheça!

Quer saber o que eu achei sobre o final de Birdman, o ganhador do Oscar de Melhor Filme de 2014? Então clica aqui, caralho!

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Cinquenta Tons de Cinza

Então, filme… Você quer deixar de ser um pornô socialmente aceitável para tias e solteironas de meia idade terem em casa? Você quer entrar no mundo do cinema como um pornô softcore mas ser julgado como um filme de verdade?

Ok. Sem problemas. Vamos julgá-lo como um filme de verdade…

*estalando o pescoço*

Este é: Cinquenta Tons de Cinza

*riff de Back in Black tocando*

fifty-shades-grey

PS: SPOILERS (dã)

Nesse momento vocês já devem imaginar que eu não gostei do filme, o que não é nenhuma novidade. Principalmente considerando o fato de que ele é baseado em uma fanfic de Crepúsculo (sério). Mas sendo assim, seria ele um daqueles filmes que é tão ruim mas tão ruim que se torna bom? Seria ele um filme que, se assistido com os amigos, você encontra ironia nos diálogos bregas e uma história tão absurda que se torna interessante ou engraçada? Essa é a pergunta que vou responder no final da review. Portanto se você quer saber o motivo de eu não ter gostado do filme, dar umas risadas ou só está a procura de um motivo pra dizer ‘nossa q cara hotário’, continue lendo.

Cinquenta Tons de Cinza conta a história de uma formanda em Literatura Inglesa chamada Anastasia Steele (o que já não faz o filme começar muito bem pois soa como um nome falso inventado por uma personagem de sitcom como Regina Phalange [por Phoebe Buffay em Friends], Art Vandalay [por George Constanza em Seinfeld] ou até mesmo Lorenzo Von Matterhorn [por Barney Stinson em How I Met Your Mother]).

Interpretada por Dakota Johnson, ‘Ana’ precisa entrevistar o bilionário Christian Grey (Jamie Dornan) para sua colega de quarto jornalista e gripada que (por algum motivo) não conseguiu outra jornalista para fazer esta entrevista. Sério, pensem a respeito… Você imaginaria que uma entrevista desse tamanho para um jornal da FACULDADE com um BILIONÁRIO/MODELO de 27 anos de idade atrairia pelo menos algumas possíveis candidatas que também fossem jornalistas e que, assim, seriam mais qualificadas para entrevistarem alguém cujo o tempo vale mais do que barras de ouro. Mas hey, foda-se o sentido, certo?

Então eles fazem a entrevista, compartilham um momento de óbvio simbolismo com o elevador se fechando e agora, por algum outro motivo, Christian está fascinado por uma mulher que não possui um pingo de personalidade. Se passa um dia (eu acho) e o bilionário mais cobiçado do mundo pelas mulheres visita Ana em seu trabalho na loja de ferragens (stalker much?) sem sequer ser reconhecido por outras pessoas. Na verdade ele entra em vários locais sem ser reconhecido. Você pensaria que, logicamente, um bilionário local receberia pelo menos um mínimo de atenção nos lugares que ele visita, certo? Bom, aparentemente esse filme não se importa muito com lógica tendo em vista que só se passaram 15 minutos e eu já contestei 2 pontos importantes do roteiro.

Então depois deles meio que se encontrarem uma ou duas vezes ela liga bêbada de um bar pra ele e o cara é tipo MUITO ESTRANHO. Ele fica tipo:

– O QUE? VOCÊ ESTÁ BEBENDO? PARE DE BEBER IMEDIATAMENTE!   ABAIXE JÁ ESTA ÁGUA DO CAPIROTO E VÁ PARA CASA!

Mano, tu não conhece essa guria tão bem assim!! Então por que diabos tu tais mandando ela fazer coisas? Já nesse momento ela deveria ter levantado algum tipo de bandeira vermelha e pensado: “Yeah, não… Não esse cara…”.

Mas é claro que isso não acontece pois provavelmente ela também pensou: “Ah, não… Mas ele é um bilionário… Hmmmm… É, ok… Eu aguento isso…”.

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“Dàn tã shì yigè yì wàn fùweng……….”

Traduzindo:

“Mas ele é um bilionário……………”

Mas Anastasia também tem um melhor amigo cujo nome eu não me lembro então eu vou chamar ele de Jacob pq vamos combinar ele é o Jacob de Crepúsculo… E esse cara é tipo TÃÃÃO patético! Ele é todo: “HEY AMIGA TUDO BEM?!??! EU TOTALMENTE quero te dar uns pegas e chupar tuas teta mas to vendo que eu não vou poder né PQ ACHO QUE EU NÃO SOU UM BILIONÁRIO.”. E essas palavras basicamente resumem o papel inteiro de Jacob nesse filme.

Então Christian “””resgata””” a bêbada Anastasia e a leva para o mesmo quarto de hotel em que ele está hospedado (?), troca a roupa dela (??) e dorme na mesma cama que ela (???). Cara, não tinha tipo um quarto vago aí do lado não? Tu precisava MESMO dormir na mesma cama de uma mulher bêbada sem o consentimento dela? E, por Deus do céu, quando você acha que essa cena não poderia ficar mais estranha, Christian diz com a maior calma: “If you were mine, you wouldn’t be able to sit down for a week”… Wait, what?!

Sério… Traduzindo, ele disse “Se você fosse minha, você não seria capaz de se sentar por uma semana”. Gente… Vamos parar um minuto nesta fala. Digam isso em voz alta. Sério. Eu desafio vocês. Digam isso em voz alta sem parecer TOTALMENTE besta. Não dá! É impossível. O ÚNICO cenário possível que eu vejo uma fala dessas se encaixando em algum tipo de contexto seria se ela já fosse fã da dirty talk, eles estivessem se pegando e ele sussurrasse isso no ouvido dela. Talvez nessa situação uma fala dessas seria considerada normal ou até mesmo excitante.

Mas espera! Pois a resposta dela é ainda melhor. Ela diz “O que? Por que eu estou aqui, Christian?”. GATA, O CARA ACABOU DE DIZER QUE QUER TE COMER COM A FORÇA DE TODO O EXÉRCITO BÁRBARO E SÓ O QUE TU TENS A DIZER É “O QUE?”??

AINNNN LUKS MAS TU SÓ VAI FALAR MAL DO FILME É?!?

Tá bom, tá bom, eu vou parar de bater um pouco nessa piñata de bosta e tentar focar nas poucas coisas boas. E como toda piñata, por fora ela parece ser muito bonita. Muito bem feita. Os atores são bons, nenhum é ótimo, mas eu consigo ver eles tendo boas atuações dado um roteiro de verdade para eles trabalharem. O longa é muito bem filmado e bem iluminado. Algumas cenas chegam a ser fantásticas. A minha preferia é a em que Mr. Grey está tocando piano nu ( ͡° ͜ʖ ͡°) em frente as grandes janelas em seu apartamento, iluminado pelos prédios de Seattle e Anastasia caminha até ele seminua  ( ͡° ͜ʖ ͡°) e então ele levanta e a carrega para fora da câmera. A cena diz tudo e transmite todos os sentimentos sem precisar de uma só linha de diálogo. (Embora o meu cérebro ainda me diga que em Seattle, de noite e durante o que aparenta ser uma leve garoa esses caras estariam CONGELANDO de frio).

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Uma cena excelente, visualmente falando.

Mas o que eu quero dizer com tudo isso é que você até pode contratar um bom diretor de fotografia, levar ele até um beco e apontar para uma pilha de merda. Ele provavelmente vai conseguir iluminar muito bem aquela pilha de merda e filmá-la de uma maneira que pareça ser interessante mas hey, adivinhem só: Ainda não passa de uma pilha de merda.

Agora, vocês sabem o porquê desta cena ser tão boa mesmo sem possuir diálogos? É JUSTAMENTE PORQUE ELA NÃO POSSUI NENHUM DIÁLOGO! Os diálogos destroem completamente esse filme. Eles são tão bregas, tão cafonas e tão mal escritos que eu sinto vontade de mudar totalmente a minha vida sexual, me fazer gostar de bondage, encontrar escritora do livro, seduzir essa mulher, amarrar ela na cama e SIMPLESMENTE CUTUCAR O NARIZ DELA COM UMA PENA ATÉ ELE COÇAR E DEIXAR ELA AMARRADA DURANTE HORAS QUERENDO COÇAR O NARIZ SEM PODER. Isso que é sadismo de verdade. E talvez se isso estivesse no filme, ele seria muito mais interessante. Pelo menos pra mim. Ok, consegui me irritar digitando. Vou até parar com a história um pouco e focar nos outros aspectos.

Quanto aos personagens. Anastasia tem tanta personalidade quanto uma folha de papel A4 em branco. Se eu pedir para vocês descreverem a personalidade dela sem usar as palavras “tímida, insegura e virgem” vocês passariam por maus bocados. E sabem o motivo? Pois essa personagem precisa ser uma página em branco para que o maior número possível de mulheres dentro do público alvo se identifique com ela e digam para si “ainnnnnn, mas ela é insegura que nem eu”. Por isso a audiência não sabe o tipo de música que ela gosta, ou se existe alguma coisa que a irrite, ou então alguma coisa que a deixe profundamente triste. Pois isso se chama ‘desenvolvimento de personagem’. Isso transformaria Ana em uma pessoa diferente. Única. Mas não é dessa forma que filmes do gênero vendem. Logo, a audiência feminina que não prestou muita atenção nos diálogos pois suas calcinhas encharcaram no momento em que o ator Jamie Dornan tirou a camisa pela primeira vez sai do cinema suspirando e pensando: “Ay, poderia ser eu”. Bella foi inteira escrita assim, Anastasia é escrita assim e as próximas personagens desse tipo de filme serão escritas assim.

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Bella Anastasia Steel

Quanto a Christian Grey, ele acaba sendo uma personagem completamente confusa, que vai e volta em suas decisões inconsistentes. Ele não é exatamente um cara de “flores e chocolates” mas é um cara de “carros e notebooks”. Ele não quer fazer o tipo namorado, mas conhece a família dela e a apresenta para a sua família. Ele diz para Anastasia ficar longe dele mas se fascina e persegue uma mulher que claramente quer que ele seja seu namorado. Suas decisões são tão inconsistentes e ele é mal escrito quanto Anastasia, contudo a diferença entre os dois é que ele pelo menos possui uma backstory. Filho de uma viciada de crack, ele possui algumas cicatrizes de queimaduras no corpo e quando você para e analisa Christian Grey, a única pergunta que faz sentido perguntar é: Por que esse filme não é inteiramente sobre ele? Pensem comigo. Um garoto filho de uma viciada em crack é adotado por outra família, aos 15 anos de idade entra no mundo do bondage e aos 27 ele já havia se tornado um bilionário. Isso é MUITO mais interessante do que qualquer tipo de relação “will they won’t they” que ele possa ter com Anastasia. Essa é a história que eles deveriam estar contando. Como esse garoto filho do crack se tornou um empresário de sucesso?! O que o bondage teve a ver com o seu sucesso? O quanto da posição de ‘dominador’ ele retirou da sua vida sexual e empregou na sua empresa? E como isso fez ele obter essa fortuna? Esse é o tipo de filme que eu gostaria de assistir. Poderia até não ser um bom filme, mas por Deus do céu… Pelo menos esse filme não teria esta fala:

– Where have you been all my life?                                                                             – Waiting for you… *-*

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Eu juro que não queria usar essa imagem mas não tive escolha.

A química entre as personagens principais é outro problema sério. Justamente porque ela não existe. Zero. Nenhuma. Anastasia Steele e Christian Grey não conseguem demonstrar qualquer tipo de sentimento um pelo outro que não pareça ser completamente atuado. É como colocar uma Barbie e um G.I Joe de frente um para o outro e esperar que algum tipo de emoção saia deles. Esse deve ser o romance mais forçado do cinema desde Anakin e Padmé na nova trilogia de Star Wars (tirando Bella e Edward, obviamente). Diálogos horríveis e uma história sem lógica nenhuma impedem que ambos atores se concentrem em seus papéis, por mais que eles realmente aparentem estar se esforçando para fazer um bom trabalho.

Anakin e Padmé e seu lindo diálogo sobre areia.

“I don’t like sand. It’s coarse and rough and irritating and it gets everywhere.”

Então, Christian Grey é um cara bastante ligado em bondage, sadomasoquismo e relacionamentos entre submisso e dominante. E não, não tem nada de errado com isso. Esse é o mundo em que ele vive. São seus gostos pessoais. Mas ele é obviamente incompatível com essa mulher totalmente inocente. “Ah, mas ele é atraído por ela”. Pois é. Algo que os escritores esqueceram completamente de colocar no roteiro (oooops) o faz ser atraído emocionalmente por ela mesmo depois dele ter deixado claro de que não se envolve emocionalmente com ninguém. Mas mesmo assim, depois de tudo isso, não é como se ela fosse inocente mas ainda assim meio que gostasse do estilo sexual dele. Ela é inocente e entediante no aspecto sexual. Ela não é tão aberta a essas possibilidades quanto ele deveria querer que alguém como ela fosse. Então o tempo todo você se pega contestando “por que esse cara tá indo atrás dela??”. Um bilionário jovem não possui rios e rios de mulheres correndo atrás dele? Não haveriam outras mulheres ou até mesmo prostitutas ou whatever que, não apenas estariam dispostas a mergulhar nesse universo, como também adorariam usar todos os brinquedinhos que ele tanto queria usar?

Ao invés disso o que ele aparenta fazer é comprar o interesse da Anastasia com notebooks, carros e passeios de avião/helicóptero. Eu sei que essas coisas deveriam parecer como presentes mas elas não parecem. Quando ela pede “algo a mais” dele e do relacionamento, a resposta imediata é levá-la dar uma volta de avião. E quando questionada se isso é o suficiente ela diz que sim! COMO isso não é comprar o interesse dela??? E agora, uma pequena história real utilizada como exemplo. Minha irmã trabalhou um tempo como secretária em uma advocacia e um dos clientes regulares do escritório um dia simplesmente ofereceu a ela um carro novo, meio que do nada… E vocês sabem o que ela fez? ELA REJEITOU O CARRO. COMO UMA MULHER NORMAL. COMO UMA PESSOA DE VERDADE QUE TOMA DECISÕES RESPONSÁVEIS FARIA. MEU DEUS DO CÉU MAS ESSE FILME NÃO-FAZ-SENTIDO! (puta merda alguém me segura que daqui a pouco eu coloco um ray-ban e dou uma de Felipe Neto)

cbe8e-felipe_neto_bella

Eu daqui uns anos se continuar assistindo filmes merdas

AINNNNNNN LUKSS MAS TU TAIS PENSANDO DEMAIS NO FILME TU NÃO PODE LEVAR ELE ASSIM TÃO A SÉRIO NÉ

NÃO!! Eu me recuso a não pensar sobre um filme que faz tão pouco sentido quanto esse. Principalmente porque eu não estou pensando demais. Eu estou pensando. Ponto final. É parar 1 (um) minuto e contestar se o que está na tela tem ou não tem lógica.

Agora, sobre as cenas de sexo. Elas estão lá. É o que o filme promete. É o que o trailer promete. Então vamos falar um pouco sobre elas. As cenas de sexo estão lá mas não tão numerosas e nem tão intensas quanto eu esperava. Eu acreditei que teriam algumas cenas bem fortes de sexo tendo em vista a origem do filme. Mas depois de pesquisar e descobrir que a classificação indicativa é só 16 anos, até que faz sentido. Eu realmente gostaria que o filme tivesse mais dessas cenas, porque o que me fez não parar de assistir na metade foi a promessa de que elas estariam ali. São todas bem filmadas e iluminadas como o resto do filme e a trilha sonora foi outro ponto positivo. O clima que as músicas criam é calmo porém bastante intenso. O que se tornou uma surpresa agradável porque o filme suga toda a tua atenção nessa hora. Eu percebi que muitas pessoas reclamaram que as cenas de sexo não são tão sadomasoquistas quanto deveriam ser e que os ~~utensílios~~ praticamente não são usados. Mas, em defesa do filme, não dá pra colocar uma classificação 16 anos e se deixar levar pelos brinquedinhos. (No Brasil é classificado como 16 anos. Nos Estados Unidos a classificação é “R”, o que significa que menores de 17 anos precisam estar acompanhados por um adulto para assistir o filme).

Mas voltando ao assunto, depois que Christian desvirgina Anastasia o resto do filme fica um.tremendo.porre. Demais. Porque não existe nada que carregue a trama do ponto A para o ponto B além do romance merda ‘eu quero mas não sei se quero’ deles. Romance que nem deveria estar acontecendo porque eles são completamente incompatíveis. Pelo menos em Crepúsculo tinham os vampiros assassinos, a guerra com os lobisomens e aquela baboseira do filho híbrido não poder nascer por causa dos illuminatis malvados. Era uma idiotice mas pelo menos era uma história! Esse filme não te dá absolutamente nada. Ele foca no romance entediante de duas pessoas que meio que querem sair um com o outro mas não deveriam e eles começam a perceber que não deveriam e eu estou tentando usar alguma outra palavra pra descrever tudo isso mas não consigo. ‘Tédio’ é a que mais bem se encaixa. Ah, e guardem este dia migos e migas pois este foi o dia no qual usei Crepúsculo como exemplo positivo. Eu nunca pensei que esse dia chegaria e espero nunca mais precisar fazer isso.

O final é um caso a parte pois ele é duas coisas ao mesmo tempo: Interessante e sem sentido. A parte sem sentido é que: Após permitir Christian tratá-la como a Alemanha tratou o Brasil no 7×1, Ana decide que não gosta mais dele e que ele nunca mais vai fazer isso com ela, corre para chorar em seu quarto até que (2 minutos depois) ela decide que está ahn apaixonada por ele… Não. Desculpa, erro meu. Não foram dois minutos. Foi um  minuto e 40 segundos. Sim, eu contei. Deal with it… Um minuto e 40s para ela passar de “não me toque” para “eu acho que estou me apaixonando por você”. Mais uma vez: Inconsistência nas decisões de uma personagem fraca e mal escrita. Agora a parte interessante é que, na cena final, enquanto Christian corre até o elevador atrás de Anastasia você não tem certeza se ele vai atrás dela como um romântico tentando convencê-la a ficar ou se é como um dominante que quer fisicamente impedi-la de ir embora. E quando ela diz “NÃO” e ele congela com um olhar confuso.. Isso é inteligente! Isso é intrigante! Acontece em poucos segundos, quase sem diálogos (obviamente) e é muito bem atuado. Por alguns segundos o filme te intriga, te prende, te faz ficar interessado na história e então ele acaba.

Hey, filme… Eu tenho um recadinho pra você.

Cinquenta Tons de Cinza é um filme semi-bem atuado e filmado porém o roteiro é tão mal escrito, tão sem sentido, tão cheio de furos e os diálogos são tão bregas que é impossível o considerá-lo sequer medíocre. Eu esperava assistir um filme tão ruim que encontraria a ironia nele. Um daqueles filmes o qual ele mesmo sabe que vai ser ruim e brinca com esse fato. Mas ele não é. Esse filme tenta se levar a sério e falha miseravelmente, o que o faz ser pior ainda!

Então eu realmente odiei desse filme, mas não porque ele é degradante para as mulheres, não porque Ana é só mais uma donzela chata esperando que o grande e poderoso homem a salve de sua vida extremamente entediante e sim porque o ele NÃO FAZ SENTIDO NENHUM. As decisões tomadas pelas personagens são tão ridículas quanto a premissa em si. O filme é um tédio, nada além do romance wannabe complexo acontece e a única coisa que me fez sentar por duas horas foi a promessa de cenas de sexo que, apesar de boas, nem chegam perto de tudo o que foi prometido com todos aqueles brinquedos e chicotes. Não é o pior filme que eu já assisti na vida (que continua sendo Dreamland [2007]), mas continua sendo péssimo.

Pra não gostar desse filme não é preciso pensar demais. Na verdade pra não gostar desse filme é preciso ter apenas dois neurônios: um pra tirar a mão de dentro da calça e outro pra se perguntar: Esse filme faz algum sentido?

 

 

E você? O que achou do filme? Gostou? Odiou? Acha que eu não passo de um macaco com acesso a internet? Deixe um comentário!

Para ler outras críticas:

Annabelle

A Culpa É Das Estrelas

A Bronx Tale (1993)

Imagem

“You’ll understand when you get older”

Essa frase do filme não sai da minha cabeça. Principalmente após ver as notas do longa dirigido por Robert De Niro no IMDb (7,8), Rotten Tomatoes (7,4) e Metacritic (8,0). A média alta não condiz nem um pouco com o que eu penso desse filme (daria uma nota 7,0 sendo generoso).

 Fiquei intrigado com esses números e procurei ler em críticas o que diabos eu perdi, pq claramente eu deixara (hue) passar alguma coisa. “O importante é que é um filme sobre valores.” diz o grande Roger Ebert. “Um filme que vem do coração e da experiência de alguém” segundo Jay Carr. “Doce nostalgia” – Susan Wloszczyna.

Ok. É um filme sobre valores,com cenas engraçadas e cenas tocantes e quanto a nostalgia; bom, eu não morei no Bronx nos anos 60 mas fica implícita a perfeição de De Niro ao retratar o bairro, as roupas, as gírias locais e a condição social (principalmente o racismo e ódio entre italianos e negros) e política da época, então por que raios eu não gostei tanto assim do filme?

É um filme de altos e baixos. Enquanto algumas atuações são excelentes, outras não não nada mais do que bestas. Em certas partes eu só queria gritar CORTA e dar um tapa na cara do ator pra ver se ele aprende a atuar.  E apesar da história se desenrolar muito bem em algumas partes, ela sequer faz sentido em outras.

A main plot  é divida em duas partes. Na primeira, nosso personagem principal Colagero (Francis Capra) tem 9 anos de idade e vê seu pai Lorenzo (Robert De Niro) como modelo de vida até que um assassinato acontece bem na sua frente. O gângster local Sonny (Chazz Palminteri) mata a tiros um devedor local e Colagero se vê em uma grande dúvida: Entregar ou não Sonny os policiais. Ele decide não dedurar o mafioso, seguindo uma conduta de ética destes bairros na época, e com isso lhe ganha a confiança. Seu pai, um honesto motorista de ônibus, tenta ao máximo o afastar das asas do gângster porém, sem sucesso. O pequeno Colagero começa a ver Sonny como modelo a ser seguido e torna-se o protegido do mafioso que o considera um filho.

Oito anos se passam e nos vemos na segunda parte do filme. Colagero, agora com 17 anos, responde pelo apelido de C e se veste, fala e começa a agir como um wise guy. Sonny se torna chefe da máfia local e mantém C como seu protegido. Lorenzo continua um honesto motorista de ônibus, tentando passar o máximo de conhecimento para seu filho que ainda o ama e idolatra (um dos pontos fortes do filme).

O fato de Colagero idolatrar e procurar conselhos tanto ao seu pai quanto a Sonny desfaz aquele velho clichê do bom contra o mau. Há os dois lados da história. Às vezes seu pai honesto dará um conselho ruim e o mafioso, um conselho bom. A vida é assim, e ela é retratada muito bem aqui. Seus melhores amigos podem ser imbecis completos, e aquele bandido pode, apesar de tudo, ser muito inteligente.

A história continua com C vendo que Sonny, apesar de possuir tudo que quer, não pode confiar em ninguém devido ao seu cargo de poder, ao mesmo tempo que seu pai se sente orgulhoso de tudo o que fez na vida. Meanwhile seus amigos agridem os negros que persistem em aparecer ao redor do bairro, o que deixa C (que agora tem uma nova namorada: Jane, uma garota negra) confuso sobre qual rumo deve seguir.

Em meio a essas dúvidas morais apresentadas de maneira encantadora, C descobre não apenas como a vida funciona, mas o homem que ele deseja se tornar.

Resumindo: Embora o filme retrate muito bem como era o Bronx nos anos 60 e tenha ótimas atuações, ele peca em atos simples como reverter uma situação amorosa adolescente de maneira coerente ou atuações convincentes dos atores secundários, o que me irritou pra caralho. É uma distração foda quando tu está assistindo um adolescente ter dúvidas éticas reais e nota alguém olhando diretamente pra câmera no background, ou um dos amigos dar um grito tão tosco que não seria digno nem do filme Sharknado. Esse filme me fez prender a respiração em situações tensas, mas eu não posso deixar de notar os “affs” e os “pqp, que idiota” soltados durante o mesmo.

Mas talvez o filme esteja certo… Talvez eu vá entender quando ficar mais velho…